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Review Arturia Microlab: teclado controlador USB compacto, para fazer música em qualquer lugar

Se você já faz ou pretende fazer música com o computador ou com algum dispositivo móvel, como tablet ou smartphone, algo fundamental é um bom teclado controlador. E se a ideia for produzir em qualquer lugar, quanto mais compacto, mais fácil de transportar e mais simples de utilizar, melhor. Por isso, hoje eu vou falar do Arturia Microlab, um controlador que tem todas essas características e ainda outros detalhes de teclas e construção, que vale muito observar!

Especificações Microlab

O Arturia Microlab é um teclado controlador USB super compacto, medindo apenas 41 x 13 cm, pesando 770 gramas. Ou seja, ideal para caber em qualquer mochila.

São 25 mini teclas sensíveis à velocidade, com o mesmo perfil das teclas de outros controladores maiores e mais caros da marca, como os da linha Keystep.

Do lado esquerdo, temos dois botões para transposição de oitavas, um botão shift para ativar diversas funções, como seleção de canal midi e modo acorde, além do botão hold, que sustenta as notas tocadas no momento.

Ha ainda os controles touch de pitch de modulação. 

Design e recursos

A construção é de alta qualidade e o design foi elaborado com alguns detalhes que fazem a diferença na experiência de uso.

As laterais do microlab são de borracha, com o objetivo de dar maior proteção ao instrumento no transporte. E, nessa mesma estrutura, outra característica muito legal: o cabo USB fica preso ao teclado e pode ser destacado de acordo com a quantidade de cabo que você precisar usar. Isso deixa a mesa sem cabos soltos, o que é sensacional.

Depois de usar, é só prender o cabo da mesma maneira. O local em que o conector USB faz contato parece ter um imã, facilitando ainda mais essa organização. 

Opinião

Na minha opinião, o microlab é a melhor opção compacta que já testei, com o foco em teclas, sem a necessidade de controles adicionais no controlador.

A facilidade de transporte, o design, a compatibilidade com computador e dispositivos móveis,inclusive com a alimentação via iPad e IPhone, somados à experiência da qualidade das teclas, fazem do microlab um controlador que dá gosto de tocar.

Então é isso! Esse foi o Review do Arturia microlab. Se você gostou, não deixe de curtir o vídeo, mandar seu comentário e se inscrever no canal. E, se considerar comprar o Arturia Microlab, acesse este link direto para a página do produto no site da Music Company Brasil. Comprando através deste link, você ajuda o canal por aqui!

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Sintetizador no videogame: a saga dos synths virtuais da Korg nos consoles portáteis da Nintendo

Música e games são paixões que carrego comigo desde a infância. Tocar um instrumento musical favorito e passar horas em um game sensacional são duas atividades extremamente felizes! Sendo mais específico: na música, me apaixonei pelos sintetizadores, esses instrumentos eletrônicos incríveis, capazes de criar e de deixar manipular, em tempo real, sons totalmente originais. Já nos games, sempre tive uma queda pela Nintendo. Não é a tecnologia mais avançada, não são os melhores gráficos, mas geralmente é uma das melhores experiências possíveis com um videogame.

Quando falamos em Nintendo, pensamos no Super Nintendo, no Wii e outros consoles de mesa clássicos. Porém, foram os portáteis que sempre chamaram mais a minha atenção. A cada modelo de Gameboy, clássico dos anos 90, que via desfilando pela escola, mais impressionado e interessando ficava com a possibilidade de “jogar em qualquer lugar” e de “carregar o videogame comigo”.

Com todas as suas versões vendendo quase 120 milhões de unidades no mundo, o Gameboy seria superado como o portátil mais popular do mundo por outro fenômeno, também da Nintendo: o Nintendo DS. Com seu design de duas telas, uma delas touch, grande catálogo de games e integração com a internet, todos os modelos da linha DS venderam mais de 150 milhões de unidades.

E foi com o Nintendo DS que vi, pela primeira vez, o encontro dos sintetizadores com o console portátil: a Korg lançou, em 2008, o Korg DS-10 para o Nintendo DS, um software de criação musical baseado nos clássicos synths analógicos da linha MS, como o MS-10 e o MS-20.

Korg DS-10 no Nintendo DS Lite

E o DS-10 chegava com recursos e interface prontos para derreter a cabeça de qualquer nerd musical, como eu! Dois sintetizadores independentes e quatro timbres de percussão, também criados no synth. Mixer, efeitos, um sequenciador que pode ser programado via piano roll, teclado virtual ou através de uma espécie de Kaoss Pad. Tudo isso, controlado com a canetinha stylus do DS!

O Nintendo DS não é exatamente o console que te entrega o áudio mais cristalino do mundo e essa “imperfeição” pode até ter contribuído na sonoridade do DS-10, que apresenta um som mais lofi, mais distorcido, etc.

Em 2011, a Korg lançou o M01, a versão do Korg M1 para o DS. A ideia aqui é mais a de criar músicas com os icônicos sons do M1. A edição dos parâmetros é limitada e a sonoridade, por se tratar de amostras, é bastante datada.

Em 2014, a Korg trouxe a evolução do DS-10, agora para os modelos 3DS: o Korg DSN-12 é a releitura do DS-10 em um console portátil com mais processamento e recursos de tela 3D.

Korg DSN-12 no 3DS: synths baseados na linha MS e osciloscópio 3D

No lugar das 2 tracks de synth e 4 de instrumentos de percussão, temos 12 tracks que podem ser utilizadas com o tipo de timbre que o usuário desejar. Além disso, o DSN-12 oferece um osciloscópio 3D, que dá um visual único ao processo de criação de timbres e ideias musicais no título.

E quando parecia que essas iniciativas de synths em consoles portáteis estavam restritas ao Nintendo DS, em 2018, do nada absoluto , a Korg apresentou o Korg Gadget para o Nintendo Switch. Talvez ele seja até hoje um dos únicos títulos musicais na plataforma.

Korg Gadget no Nintendo Switch

E a versão do Gadget no switch é incrível: uma grande coleção de synths e drum machines e ótima integração entre o hardware e a experiência do usuário.

Se você possui algum console da família DS ou um Nintendo Switch, dê uma chance para um desses títulos da Korg! Você irá se surpreender com a experiência de uso e verá como pode ser divertido explorar e tocar synths no seu videogame!

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Waldorf Streichfett: string machine e synth em formato super compacto

Se tem um som que sempre esteve presente na memória e que sempre busquei reproduzir nos mais diferentes sintetizadores, ele é o dos strings e pads da década de 70, mais especificamente aqueles gerados pelos instrumentos conhecidos como String Machines.

Essas máquinas de strings tiveram grande relevância na década de 70 e início de 80 e depois foram engolidas pelos synths digitais, como o Yamaha DX7. Basicamente eram synths analógicos, bastante limitados, que de forma muito pouco realista, buscavam reproduzir os sons dos instrumentos de corda de uma orquestra.

O som cru, basicamente uma seleção de presets com timbres de ondas dente de serra e quadrada, eram bem sem vida e não tinham absolutamente nada de especial. Porém, mas coisas ficavam bem interessantes com a utilização de um chorus embutido, gerado por algumas linhas de delay BBD, criando uma modulação espacial muito distinta.

Arp Quartet, Solina e Roland Rs202 são alguns dos representantes famosos desses instrumentos, usados por grandes nomes do pop, rock e muitos outros estilos.

Apesar dos sons das strings machines terem ficado no coração e na memória de muitos, esses instrumentos sumiram do mercado e não foram mais lançados pelas principais empresas do setor. A chegada dos synths digitais, samplers e outros provavelmente explica essa descontinuidade. Esses instrumentos são capazes de criar strings de forma muito mais realista e mais barata também.

Nos virtuais, a string machine sempre esteve presente. Seja através da Gforce, da coleção da Arturia ou dos apps musicais para iPad, ter um pouco daqueles clássicos timbres ficou mais simples.

Mas, em 2014, a alemã Waldorf achou que seria uma boa ideia lançar a releitura de uma string machine para os dias atuais. No formato de um pequeno módulo, digital e com o foco de trazer de volta a sonoridade, mas sem clonar nenhum dos clássicos, surgiu a Streichfett.

A Streichfett não simula ou emula uma string machine específica. E nem tão analógica assim ela é capaz de soar. Porém, sua sonoridade é peculiar e versátil e o instrumento entrega muito em um formato tão compacto: são duas synth engines – string machine e um synth polifônico. As duas engines compartilham um reverb master excelente. A parte de strings tem um phaser dedicado, também excelente.

Este é meu teste da Streichfett tocando Bach, com as duas synth engines em ação!

A Streichfett é uma string machine que devo manter por aqui. E agora, sigo na expectativa da realização de um sonho: a Behringer está preparando um clone da ARP Solina. Compra absolutamente garantida.

Solina: recriação de string machine analógica clássica pela Behringer
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Camel tocou The Snow Goose em Londres e eu estava lá

Camel Barbican Centre London

Ainda não havia comentado nada sobre o show do Camel que tive a oportunidade de assistir ao vivo no final do ano passado. Vários dos meus amigos sabem que esta é uma das minhas bandas favoritas. Ouço Camel há muito anos e, com o Raphael Rocha, Mário, Rodrigo e Mariana, tive a oportunidade de tocar as músicas da banda por um tempo em ensaios e shows, com a extinta Rajaz.

Andrew Latimer, líder da banda e um dos melhores guitarristas “melódicos” de todos os tempos, lutava há mais de uma década contra uma doença grave. Enquanto a Rajaz tocava por aí, eu me arrependia amargamente de não ter ido ao show do Camel em BH, alguns anos antes, e achava que não teria uma nova oportunidade, devido aos graves problemas de saúde do Andrew.

De toda forma, prometi mentalmente que se caso algum dia o Camel voltasse aos palcos, em qualquer lugar, eu estaria lá. Esta não poderia entrar na coleção de bandas fantásticas que jamais tive o privilégio de ouvir ao vivo.

Seguia lendo o site oficial do Camel, acompanhando atentamente os relatos de Susan Hoover, esposa e empresária de Latimer, sobre sua saúde, quando, em março de 2013, surgiu o anúncio de um show em outubro, no Barbican Centre, em Londres. Foi totalmente inesperado! Mais inesperado ainda foi o tema do show: iriam tocar o Snow Goose completo, álbum clássico da década de 70 e um dos meus favoritos!

Ticket Camel London

Lembro que liguei para o meu irmão na mesma hora e falei: “O Camel voltou e vai tocar em outubro! Nós temos que ir!” O detalhe é que era em Londres. E eu nem sequer jamais havia ido até lá.

Havia prazo! Acabou que o show virou a nossa viagem de férias. Fizemos todo o planejamento para um período em Londres baseado na data do Camel. Compramos os ingressos pouco após o anúncio no site, ainda em março. Em questão de dias as entradas se esgotaram.

Durante meses, confesso que fiquei com medo da data ser cancelada. Temia pela saúde do Andrew e já estava com tudo comprado, reservado, etc.

Fomos à Londres. Enquanto fazíamos turismo, o Camel realizava outros shows no Reino Unido antes da volta aos palcos da capital. Vale observar que esta seria a primeira vez que a banda tocaria o Snow Goose inteiro ao vivo na cidade desde o show de 1975 no Royal Albert Hall.

Barbican Centre em Londres

Barbican Centre em Londres

Na segunda-feira, 28 de outubro, fomos ao show. O Barbican Centre, local do evento, é um centro de cultura absolutamente fantástico! Um complexo com teatros, cinemas, locais de exposição e muito mais. O teatro do show tinha ótima acústica e muito conforto, além de ser extremamente agradável aos olhos. Do nosso hotel para o Barbican foi necessário apenas um metrô (viva a Circle Line!) para chegarmos quase na porta do teatro.

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Já dentro do prédio, próximo ao bar, uma pequena ilha vendendo material promocional do Camel. A vendedora era ilustre. Tratava-se de Susan Hoover, esposa de Andrew Latimer e grande colaboradora do Camel ao longo de todos estes anos. Além de camisas da banda, havia também disponível o CD trazendo a regravação do Snow Goose pela formação atual, que escuto agora ao escrever este texto e está sensacional.

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Fomos para o teatro. Como já havia acontecido nos demais shows desta turnê, ao subir no palco, Latimer foi ovacionado por alguns minutos. Da formação atual, apenas Latimer e Colin Bass estavam presentes já na década de 70. Mesmo assim, Bass ainda não estava no grupo na época das gravações do Snow Goose. Nos teclados, o Camel contou com Jason Hart e Guy LeBlanc, que fizeram um ótimo trabalho para reproduzir os grandes solos e timbres de Peter Bardens, além de suprir de alguma forma a ausência da orquestra de Londres, presente no show de 1975 no Royal Albert Hall. O baterista Denis Clement também fez grande trabalho em seu instrumento, além de tocar baixo em algumas músicas.

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O show foi dividido em duas partes. Na primeira, o Snow Goose na íntegra. Na segunda, músicas de épocas variadas, como Echoes e For Today. Confira o setlist completo.

Tantos anos depois, seria impossível não pensar nas seguintes perguntas: como estaria a técnica do Andrew Latimer após a doença? E sua voz? Será que a banda teria energia suficiente para um grande show?

Foi preciso chegar apenas à terceira música do setlist para termos certeza de que Andrew estava totalmente em forma, tanto na guitarra quanto na flauta. Confira o solo de Rhayader Goes To Town.

 

Vale destacar as mudanças em algumas faixas do Snow Goose. Novos trechos instrumentais foram adicionados e só valorizaram as belíssimas composições do álbum. Confesso que a primeira parte do show passou muito mais rápido do que eu gostaria. Assistiria e ouviria o mesmo mais algumas vezes, se fosse possível.

Na segunda parte, destaque para Echoes, executada com brilhantismo, Fox Hill, com grande performance de Colin Bass, e For Today, trazendo toda a emoção dos solos de guitarra de Latimer e a mensagem na letra totalmente relacionada a tudo que aconteceu com a banda com o passar do tempo.

Após longos aplausos da platéia, de pé, ao final de For Today, a banda voltou ao Palco para o bis. Lady Fantasy, um ícone do grupo, foi tocada de forma impecável.

Foram quase 2 horas e meia de show. Durante este tempo, tudo que eu conseguia pensar era como estava feliz por estar ali naquela noite e presenciar a volta de um grande músico aos palcos, tocando algumas de suas melhores composições com técnica e emoção, sempre características. Saí do Barbican certo de que, musicalmente, aquela havia sido a noite mais marcante da nossa excelente viagem à Londres e uma das mais especiais da minha vida. Promessa cumprida.

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Agora é possível conferir este show incrível em DVD. A gravação foi feita na noite em que estávamos lá. Aliás, foi a única apresentação em Londres naquela turnê.

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Primeiros dias com o Spotify no Brasil

Há tempos aguardava a chegada do Spotify ao Brasil. Ele é um dos maiores serviços de streaming de música do mundo, com mais de 10 milhões de assinantes e 20 milhões de músicas de todos os estilos, de artistas famosos à bandas que ainda não possuem grande destaque. O Spotify já é uma realidade no Brasil e, assim como milhares de pessoas, já estou utilizando o serviço há cerca de uma semana.

Existem muitos posts na internet explicando a filosofia e o funcionamento do Spotify, mas gostaria de explorar outro aspecto por aqui. Na minha opinião, ao colocar mais de 20 milhões de músicas à disposição dos usuários, ele é um serviço que finalmente demonstra todo o poder e abrangência de um sistema de streaming e da ideia da nuvem.

Explico melhor. Como comentei em um post anterior, formatei meu Mac recentemente. Um dos meus HDs de backup tem uma pasta com mais de 400 GB de música. Já estava pronto para copiá-las novamente para o computador recém formatado, quando vi que o Spotify estava disponível no Brasil.

Foi quando me lembrei um pouco das minhas experiências recentes ouvindo música com o iTunes e a minha coleção. Estava quase sempre ouvindo as mesmas coisas, mesmo tendo uma quantidade imensa de músicas. Quase sempre me achava procurando algumas coisas diferentes em diversos sites como Grooveshark, SoundCloud e o próprio Youtube. Mas confesso que não tenho muita paciência para buscas frustradas, eventual baixa qualidade, etc.

Será que eu precisava mesmo de 400 GB de música novamente em meu computador? Decidi adiar a recuperação da coleção e começar a utilizar somente o Spotify por algum tempo.

A experiência tem sido incrível. Além de ter conseguido encontrar praticamente tudo que procurei por lá, ainda fui surpreendido com versões raras de músicas que gostava e álbuns de luxo dos meus artistas favoritos. Discografias completas e tudo com qualidade excelente.

E vale dizer: tudo isso está disponível em praticamente todos os dispositivos que utilizo: iPod Touch, Smartphone, Mac e iPad. E, em qualquer um deles, o Spotify se comporta praticamente como um music player nativo.

Por fim, é importante voltar a algo que disse no início deste texto. Falava que estava ouvindo sempre as mesmas coisas no iTunes, ou acabava procurando algo novo em outros locais. O sistema do Spotify para isto é simplesmente genial. Além de oferecer playlists temáticas, dependendo do dia da semana ou da hora que você entra no aplicativo, há um excelente recurso de recomendação, que indica artistas e músicas compatíveis com seu gosto, independentemente de serem consagrados ou não.

O Spotify é gratuito e ilimitado. Querendo utilizá-lo desta maneira, só é preciso conviver com pequenos comerciais entre algumas músicas. Porém, há um plano de assinatura pago, custando cerca de 14 reais por mês. Com ele, nada de propagandas e o usuário passa a contar com a possibilidade de baixar qualquer música em alta qualidade para quando estiver offline, além de poder usufruir sempre de streaming em altíssima qualidade.  Por falar em streaming, ele funciona muito bem também com a conexão 3g. É possível experimentar a versão paga por 30 dias.

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Relato de morte e ressurreição de um iMac musical

iMac

Quando comprei meu primeiro iMac, em meados de 2010 (assim como diz seu modelo), fiquei muito impressionado. O computador não travava, era rápido, iniciava em segundos. Para a época, era um bom processador: i5, com dois núcleos. A memória RAM era modesta, apenas 4GB, e o HD, apenas o suficiente, com seus 500GB.

Do lado musical, instalei o Logic Pro, GarageBand, além de vários instrumentos virtuais. Também experimentei gravar e editar vídeos com o Premiere e iMovie. Foram vários meses de muita alegria.

Então, a partir de 2011, comecei a presenciar o surgimento de novas versões do OS X, o sistema operacional do Mac. Minha versão era a Snow Leopard (2.6), já bastante bonita. Ainda lembro feliz da primeira vez que liguei o iMac e fui recepcionado por um vídeo com “bem-vindo” em diversos idiomas.

Mas, como dizia, a Apple começou a apresentar novas versões. Cada uma mais bonita e com mais recursos que a anterior, como era de se esperar. Se não me engano, cheguei a pagar por uma das atualizações, mas o valor era bem baixo, se comparado ao praticado em uma atualização de Windows, por exemplo.

Lion, Mountain Lion e o iMac ficava cada vez mais bonito e conectado em redes sociais, sistemas de notificação e sincronização. Meu iMac de meados de 2010 continuava na lista de compatibilidade das novas versões e eu, é claro, fui instalando as novidades assim que elas eram anunciadas. Afinal, o Mac é um computador próprio para multimídia e prioriza a experiência do usuário.

Porém, fui percebendo que o leão da montanha era mais pesado e faminto que o leão comum e seu amigo leopardo das neves. A memória RAM parecia sempre mais ocupada, assim como o processador. Nos softwares de áudio, trabalhar com a mesma baixa latência de antes começou a ficar difícil usando mais de dois ou três instrumentos virtuais.  A edição de vídeo começava a ficar ainda mais penosa e, na App Store, eu já ficava sempre procurando por apps que podiam melhorar o desempenho, liberar memória, etc. A gente gosta de se enganar um pouco.

Levando em consideração a vida útil do meu Macbook branco, comprado em 2008, já sabia que o normal seria que o iMac durasse alguns anos e funcionando muito bem. Mas, em 2013, a Apple apresentou o OS X Mavericks, o melhor OS X de todos os tempos, com ainda mais recursos, com otimização de processamento e memória. E eu, mais uma vez, desculpem o trocadilho, entrei na onda. Eu sei, deveria ter sido mais cauteloso.

Foi nessa atualização que não pude mais continuar me enganando. Meu iMac estava pior. A memória RAM, já expandida para 8gb, ficava bastante ocupada mesmo sem estar rodar praticamente nada no computador (pelo menos que eu visse ou quisesse). Todas as tarefas comuns ficaram mais lentas. Mas o pesadelo de verdade ficou por conta dos softwares de áudio e vídeo.

O novo GarageBand é lindo, mas apresentou milhares de problemas de áudio. Dropouts a todo momento e nem mesmo há possibilidade de aumento de buffer para incrementar a latência e amenizar a situação.

No Logic Pro, a latência, que costumava ser de 5ms, teve que ser fixada em quase 15ms para evitar problemas no áudio. Mesmo assim, em alguns momentos, o processador apresentava picos de 99 e 100%, impedindo qualquer gravação com o mínimo de tranquilidade.

Um ano antes, gravava meus vídeos em HD usando uma webcam Logitech, ou capturando a tela do Mac com o ScreenFlow. Gravava… Com o Mavericks, a gravação de vídeo virou uma tortura. Com o ScreenFlow, travamentos. Com a webcam, áudio e vídeo fora de sincronia.

Para piorar um pouco mais, assistir vídeos no YouTube usando o Chorme também passou a ser um problema. Dropouts no áudio enquanto o vídeo passava.

Fiz o que pude. Acessei dezenas de fóruns. Deveria existir solução para esses problemas. Porém, o que descobri foi muita gente na mesma situação, em diversas partes do mundo. Pessoas questionando como uma atualização de software poderia piorar tanto a performance de determinados Macs (na lista de compatibilidade) e ninguém fazer nada a respeito.

Atualizei o Mavericks algumas vezes e não percebi nenhuma melhora significativa. Neste final de semana passado, agora em junho de 2014, resolvi que não dava mais e era hora de ressuscitar o iMac.

Fui até o local onde ainda guardava a sua caixa, localizei os DVDs de instalação do Snow Leopard. Fiz backup de mais de 500 gb de documentos e arquivos pessoais, usando 2 HDs externos para maior garantia.

Fiquei cerca de 10 horas trabalhando no iMac: fazendo backup, formatando, instalando o sistema operacional de fábrica e, por fim, tentando colocar de volta nele tudo aquilo que uso com frequência.

O mais curioso nesta história?  Quando optei por formatar o iMac, fiz planos de reinstalar a versão Snow Leopard e ir atualizando até a Mountain Lion, a última que ainda me trazia alguma lembrança positiva na execução das tarefas mais importantes. Mas, logo após instalar os primeiros softwares de áudio e vídeo, decidi testá-los no Snow Leopard. A performance foi espetacular. Baixíssima latência, nenhum travamento, baixo consumo de memória RAM e processamento estável.

Então, resolvi tentar colocar tudo que usava no iMac com Snow Leopard e analisar aquilo que perderia visando garantir uma boa performance. Instalei o Logic Pro, o Reason 7 (o mais atual), o Premiere, ScreenFlow, etc. Tive problemas apenas com o software de streaming de vídeo, o WireCast. A versão mais atual funciona apenas a partir do Lion. Porém, localizei uma versão anterior  compatível e apresentando tudo aquilo que eu utilizava.

Quando já estava tudo instalado e devidamente configurado, olhei para a tela do iMac e tive uma sensação estranha e agradável, ao mesmo tempo. Ele estava bastante estático. Nada acontecia na tela se eu não interagisse com o computador. E aí, me lembrei o que estava acontecendo no Mavericks e outras versões mais recentes: 487274 notificações de 297482763 apps diferentes surgindo a todo momento, com 77276473 atualizações de software aparecendo todos os dias. Não ver mais nada daquilo me deu tranquilidade e paz.

Não me entenda de forma errada. É um iMac de trabalho. Nada contra as redes sociais e a integração de sistemas operacionais com as mesmas. Nada contra o sistema da App Store que revolucionou a maneira como compramos software. Mas tudo a favor de poder focar naquilo que preciso fazer e de ter um sistema concentrando recursos nas atividades realmente importantes, em vez de perder tempo com tarefas desnecessárias no momento.

Resultado? Fiquei no Snow Leopard. Ele não é o melhor sistema operacional feito para computadores Mac, mas ele é o melhor para o meu iMac de meados de 2010, que precisa fazer tudo aquilo que faço com ele. Meu iMac permanecerá no Snow Leopard até o surgimento de algo importante que realmente não possa fazer nele. Aí, poderei pensar no… Lion.

Enquanto este dia não chega, irei continuar usufruindo de um computador rápido, versátil e musical, trabalhando áudio com baixíssima latência, gravando e editando meus modestos vídeos.

E qual é a dica mais importante deste texto? Que algumas vezes menos é mais? Também. Mas, se você tem um Mac, principalmente os adquiridos até 2011, guarde os DVDs de instalação com a sua vida. Sem eles, nada que fiz seria possível e dependeria da Apple para me fornecer uma instalação compatível com o modelo.

Para quem se interessar, aí estão os 7 passos para a felicidade no processo de formatação e reinstalação do OS X de fábrica:

1- Se seu Mac foi adquirido após 2011, verifique na internet se o modelo não possui o recurso Internet Recovery. Isto dispensa o uso dos DVDs de instalação e ameniza a dor do processo.

2- Faça backup de todos os seus arquivos importantes. Na biblioteca do iPhoto, clique com o botão direito, selecione “exibir conteúdo do pacote” e copie as imagens contidas na pasta Masters (ou Originals). Ela contém os arquivos de imagem originais. Tê-los é garantia que uma versão anterior do iPhoto não irá complicar a sua vida.

3- Pratique o amor e faça backups idênticos em 2 HDs externos, pelo menos.

4- Reinicie o Mac, com o DVD de instalação inserido, pressionando no teclado a tecla C.

5- Após o carregamento do sistema de instalação, selecione no Menu superior o Utilitário de Disco. Localize seu HD atual, apague e formate usando o formato sugerido (Mac Cronológico).

6- Encerre o utilitário de disco e siga as instruções do instalador do OS X.

7- ATENÇÃO. Ao final da instalação, após reiniciar seu Mac, talvez você queira instalar novamente os apps da versão antiga da suíte iLife (11), que não mais pode ser encontrada na App Store, mas que está no segundo DVD que vem de fábrica com iMacs e Macbooks. Porém, provavelmente a instalação irá falhar por um “motivo desconhecido” (há algo mais Windows que isto?). O motivo desconhecido, neste caso, é uma espécie de certificado de data que parece não estar mais válido atualmente. Volte a data do seu Mac para o ano em que você realizou a compra e rode a instalação novamente. Irá funcionar perfeitamente.

 

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Um novo espaço para outros assuntos

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Escrevendo o MusicApps há 4 anos, é claro que, em diversos momentos, quis falar sobre outros assuntos diferentes de música em iPads e iPhones. Isto acabou ficando claro em muitos posts trazendo reviews de sintetizadores (físicos), alguns nem tão portáteis assim. Por conta dessa vontade de expandir os temas, praticamente removendo qualquer limite, decidi começar este blog.

Se você nunca leu o MusicApps, seria falta de educação da minha parte não me apresentar. Sou jornalista por formação, músico por paixão e completamente envolvido com tecnologia porque a vida quis assim. Toco ao vivo com a banda usando somente instrumentos virtuais, mas em casa gosto de ter por perto sintetizadores analógicos. Adoro synths, mas também toco flauta transversal. Eu leio várias vezes manuais de instrução de tudo que compro. E leio algumas os das coisas que eu não compro. Usei iPhone por anos, falo quase sempre sobre música no iOS, mas atualmente uso um smartphone Android. E ele também está começando a me irritar.

Por aqui falarei sobre música e tecnologia, mas também escreverei sobre música sem tecnologia. Vou falar muito de sintetizadores. Afinal, eles são tão legais que poderia passar a vida só falando deles. Acabo respirando tecnologia. Como parte razoável do mundo, passo meus dias cercado por computadores, tablets e smartphones. Então, obviamente estes também estarão em pauta.

Sintetizadores são legais.

Sintetizadores são legais.

E, saindo um pouco da música (e da tecnologia), por que não comentar qualquer coisa interessante (no meu ponto de vista) do cotidiano? Enfim, o que não couber no MusicApps, estará aqui. Assim como foi com o MA, não começo este blog pensando em quem irá ler. Sendo um pouco egoísta e bastante sincero, o que motiva é a vontade imensa de escrever e contar tudo que descubro e considero interessante.  Algo poderá ser útil para outras pessoas. Ou não.

O MusicApps me levou a conhecer lugares e pessoas incríveis! Quem sabe não tenho a mesma sorte por aqui! Seja bem-vindo(a)!

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